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Fome diminuiu no mundo, mas cresceu na África

Conflitos, mudanças climáticas e crises econômicas ampliaram a fome no continente africano em 2024, aponta relatório da ONU. Solução envolve mais financiamento público e políticas alimentares nos países afetados.

Custo da alimentação saudável

Segundo o relatório, o percentual e o número de pessoas sem condições de pagar por uma alimentação saudável diminuíram significativamente na Ásia, América Latina, Caribe, América do Norte e Europa.

Mas, em contraste, aumentou em toda a África, de 64,1% em 2019 para 66,6% em 2024, um aumento de 864 milhões para 1 bilhão de pessoas.

Em alguns países, como a Nigéria, a inflação afetou em especial os alimentos básicos ricos em amido e nos óleos, que constituem o núcleo da alimentação das famílias mais pobres, e tais aumentos podem comprometer a segurança alimentar e a nutrição.

Homem no meio de plantas secas
Seca comprometeu a segurança alimentar em países como o Zimbábue. Foto: Privilege Musvanhiri/DW
 

“Onde a alimentação é menos acessível, as taxas de desperdício e atraso no crescimento das crianças são simultaneamente mais altas”, disse Tendai Gunda, nutricionista de saúde pública, à DW.

Ela acrescentou que a dinâmica dos preços e da renda é um hoje um motivo dominante que explica a desnutrição, a subnutrição, a deficiência de micronutrientes e as doenças não transmissíveis relacionadas à alimentação.

Que medidas os governos devem tomar?

Organizações de segurança alimentar exortaram os governos a aplicarem mais vontade política, forte financiamento público e planos de desenvolvimento para alcançar a autossuficiência alimentar.

“É importante que mais países se concentrem em ficarem autossuficientes, para que muitos dos pequenos agricultores não apenas produzam, mas também possam vender seus produtos nos mercados”, disse Lario, presidente do FIDA. “Investimentos seriam fundamentais se quisermos combater tanto a pobreza como a fome nas áreas rurais”.

Nutricionistas também instaram os governos a classificar as cadeias de abastecimento agroalimentares como serviços essenciais e a manter corredores comerciais intra-africanos abertos. “A governança nutricional deve ser apoiada por meio do financiamento de conselhos multissetoriais de alimentação e nutrição”, disse Gunda.

Ela afirmou ainda que os governos devem ampliar os direitos das mulheres ao uso da terra e ao financiamento, políticas que comprovadamente melhoram a saúde infantil e materna.