Clipping

Os quebradores de máquinas: Ludistas

Uma crítica poética à automação desumanizante. Ataques à casa do CEO do ChatGPT evocam o espírito da rebelião do século XIX na Era Digital? Revolta contra o patrão e suas engrenagens não detém avanços tecnológicos, mas é um passo para conquistas

Por: Célio Turino |Imagem: Reprodução/Disparada

Houve um tempo,
esse tempo houve,
foi no início do século XIX;
na Inglaterra, artesãos e operários
quebraram máquinas a marteladas:
Ludistas, os “quebradores de máquinas”.

Não foi possível deter as máquinas,
mas é possível com esse tempo aprender.

A memória de Ned Ludd,
o operário que se revolta
contra o patrão e suas engrenagens,
não vai se perder,
de seu martelo nasceu o sindicalismo
e todos os direitos que vieram depois.

Simbolicamente:
– Quebremos os espelhos de silício,
rasguemos os véus da névoa programada!

Na vida real
ainda temos a rua,
o gesto, a voz
que não se dobra
ao comando sem rosto
das assombrações digitais.

Que importa o relógio dos donos do mundo
se ainda sabemos contar histórias?

Extraído do livro FIOS DA HISTÓRIA – poemas, de Célio Turino

 

 

Publicado originalmente em: https://outraspalavras.net/poeticas/os-quebradores-de-maquinas-ludistas/