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“Nós por nós”: união na periferia contra a covid

Ensaio fotográfico mostra a organização contra a pandemia em Paraisópolis, S. Paulo. “Presidentes de rua”, eleitos, são responsáveis pela entrega de cestas básicas e máscaras; e organizam brigadas de saúde e acolhimento. Cada um cuida de 50 famílias

Por Arthur Stabile e Gui Christ

“Nos sentimos abandonados, como se não fossemos brasileiros. Esquecidos”. A definição de Gilson Rodrigues, representantes dos moradores de Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, na zona sul da cidade, é um desabafo. Faz questão de mostrar a falta de preocupação do poder público com a periferia em meio à pandemia do novo coronavírus. Mais do que reprovar, contudo, a comunidade de Paraisópolis se uniu. Mostrou que, mais uma vez, a favela vive por conta própria, na base de um lema antigo: ‘Nós por nós’.

Doutor Ricardo Vieira da Silva é um dos que trabalha em Paraisópolis | Foto: Gui Christ/National Geographic

União é a palavra que melhor representa o atual momento vivido ali. Seis meses após nove jovens terem morrido pisoteados em ação da PM durante um baile funk e de três jovens serem sequestrados e mortos na quebrada, Paraisópolis não quer ser notícia mais uma vez por causa de tragédias. Os moradores se mobilizaram para evitar um caos gerado pela pandemia.

Atendimento das enfermeiras contratadas pela comunidade | Foto: Gui Christ/National Geographic

A organização é simples: cada rua tem um representante, chamado de presidente. Ele é responsável por até 50 famílias, uma forma de o controle do que está acontecendo ser melhor administrado. São os presidentes que definem as entregas de cestas básicas, chamam ambulâncias para os doentes e encaminham quem precisa para as casas de abrigo — outra ação para atender quem precisa.

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“Não é à toa que colocamos o nome do voluntário de presidente de rua. Temos nosso próprio presidente, com a ausência de um representante nesse tempo de pandemia”, afirma Gilson. “Tudo que fizemos veio da favela. Não vem nada dos governos. O estadual liberou apenas escolas para a gente, mais nada. Falta política pública. É uma tragédia que está sendo construída”, prossegue.

Idosa moradora da favela é uma que recebeu auxílio | Foto: Gui Christ/National Geographic

Para evitar a tragédia, Paraisópolis criou a entrega de marmitas, a produção e entrega de máscaras aos moradores, contratação de profissionais da saúde para atender os moradores em três ambulâncias, a elaboração de casas de acolhimento (que funcionam em escolas locais, cedidas pelo governo do tucano João Doria), além das cestas básicas entregue às famílias mais necessitadas.

Saiba mais em: https://outraspalavras.net/outrasmidias/nos-por-nos-uniao-na-periferia-contra-a-covid/

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