Clipping

Desigualdade Fundiária, drama global

Estudo revela como as políticas neoliberais criam um campo de “desertos verdes”: sem trabalho, devastador e monótono. Oligarquia rural, agronegócio e fundos especulativos unem-se, controlam terras e são cada vez mais hostis à democracia

Um texto da International Land Coalition | Tradução de Simone Paz

Na maior parte dos países, a desigualdade de terras cresce. Pior: novas medições e análises, publicadas neste relatório, mostram que a desigualdade de terras é significativamente maior do que registrado anteriormente. Essa tendência ameaça diretamente os meios de subsistência de cerca de 2,5 bilhões de pessoas envolvidas na agricultura familiar, no mundo inteiro.

A desigualdade de terras é também central para muitas outras formas de desigualdade — relacionadas a riqueza, poder, gênero, saúde e meio ambiente — e está fundamentalmente ligada às crises globais contemporâneas de declínio da democracia, mudança climática, segurança sanitária e pandemias globais, migração em massa, desemprego e injustiça intergeracional. Além de seus efeitos diretos na agricultura familiar, é evidente que a desigualdade da terra prejudica a estabilidade e o desenvolvimento de sociedades sustentáveis, nos afetando a todos e em quase todos os aspectos de nossas vidas.

A terra é um bem comum — fornece a água, os alimentos e recursos naturais que sustentam a vida. É ela que garante a biodiversidade, a saúde, a resiliência e os meios de vida equitativos e sustentáveis. É imóvel, não renovável e está intrinsecamente conectada às pessoas e sociedades. A maneira como administramos e controlamos a terra moldou nossas economias, estruturas políticas, comunidades, culturas e crenças por milhares de anos.

Apesar da desigualdade de terras ser o centro de inúmeros desafios globais, e apesar do reconhecimento global da importância fundamental de direitos fundiários seguros e equitativos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e nas Diretrizes Voluntárias sobre a Governança Responsável da Posse de Terra, Pesca e Florestas (VGGTs), as desigualdades no direito à terra e na distribuição de seus benefícios estão aumentando, enquanto o uso insustentável da terra coloca um enorme fardo sobre os menos capazes de suportá-lo.

O “terreno irregular” ao qual aludimos no título desta síntese, é onde a maioria da população rural se encontra cada vez mais. Ela é o foco deste relatório e do trabalho da International Land Coalition (Coalizão Internacional da Terra). Pequenos proprietários e famílias de agricultores, povos indígenas, mulheres rurais, jovens e comunidades rurais sem terra — todos estão sendo confinados em parcelas menores de terra ou expulsos, enquanto cada vez mais terras estão concentradas em menos mãos, atendendo principalmente aos interesses do agronegócio corporativo e de investidores distantes, utilizando modelos industriais de produção que empregam cada vez menos pessoas.

Este relatório lança uma nova luz sobre a escala e velocidade dessa desigualdade de terras crescente.

Ele fornece a imagem mais abrangente disponível na atualidade, construída ao longo de 17 artigos de pesquisa especialmente encomendados, bem como a análise de dados e da literatura existentes. Ele descreve em detalhes as causas e consequências da desigualdade de terras, analisa potenciais soluções e oferece um caminho possível para a mudança.

Embora ainda existm lacunas significativas no nosso conhecimento, sobre a extensão dos interesses corporativos e financeiros nas terras do mundo, é evidente que a desigualdade de terras é maior e aumenta muito mais rapidamentedo deo que pensávamos. A necessidade de abordar o tema é urgente e é do interesse de todos.

Saiba mais em: https://outraspalavras.net/desigualdades-mundo/desigualdade-fundiaria-drama-global/

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