Clipping

A evolução do igualitarismo

Contra o mito ainda dominante de uma suposta natureza egoísta e individualista dos seres humanos, a Antropologia demonstra que a cooperação e o igualitarismo não só são traços predominantes na cultura de vários povos, como até mesmo contribuiram para a evolução do ser humano para sua forma moderna.

Publicado originalmente como artigo na The international encyclopedia of Anthropology [Enciclopédia internacional de Antropologia], editada por Hilary Callan (2018, JohnWiley & Sons).


Sociedades igualitárias

Otermo “igualitarismo” na Antropologia é usado para descrever a organização social de povos que foram observados empiricamente praticando um ethos cultural que encoraja o compartilhamento, a cooperação pacífica e a igualdade, ao mesmo tempo em que desencoraja a acumulação de propriedade, a busca por status, o conflito e o autoritarismo. Embora o termo tenha derivado do ideal iluminista de igualdade entre as pessoas, na Antropologia ele se refere a uma prática social tangível, ao invés de um ideal utópico. Organização social e práticas culturais igualitárias estão presentes em alto grau na maioria das sociedades móveis de caçadores-coletores e em algumas sociedades de cultivadores itinerantes, ainda que possa haver elementos de igualitarismo, ou subculturas igualitárias, em sociedades agrícolas, pastoris e industriais. As sociedades com as práticas igualitárias mais extensas são às vezes conhecidas como sociedades “igualitárias e não-competitivas” ou sociedades “assertivamente igualitárias”.

Sociedades igualitárias não-competitivas incluem, entre outros: os caçadores-coletores Hadza da África Oriental; os caçadores-coletores San da África Meridional; os caçadores-coletores BatwaBaYaka Mbuti da África Central; os caçadores-coletores Maniq da Tailândia; os caçadores-coletores Agta das Filipinas; os caçadores-coletores Batek Chewong da Malásia; e os cultivadores itinerantes Buid das Filipinas.

As características sociais que levam um povo à classificação como não-competitivo ou assertivamente igualitário incluem: representação social relativamente equivalente entre diferentes grupos de gênero e idade; a ausência de relações hierárquicas e lideranças com autoridade; a ausência da acumulação de riqueza; demanda compartilhada de alimentos e bens materiais; a ausência de laços sociais particularistas e relações diádicas de endividamento; mobilidade; flexibilidade nos arranjos de vida; e evitação como o meio preferido de resolução de conflitos. Nem todas essas características estão necessariamente presentes das mesmas maneiras em diferentes sociedades igualitárias, mas a demanda compartilhada é crucial para garantir que não se desenvolvam desigualdades baseadas em propriedade e no acesso diferencial a recursos.

Os etnógrafos de caçadores-coletores interpretam e articulam suas observações de práticas igualitárias de maneiras ligeiramente diferentes, mas há semelhanças marcantes entre elas. James Woodburn (1982) categoriza as sociedades humanas em dois tipos ideais: sociedades de retorno imediato (igualitárias, focadas nas necessidades de subsistência do presente) e sociedades de retorno retardado (diferenciadas politicamente e economicamente, focadas em investimentos de trabalho de longo prazo para adquirir um rendimento material no futuro). Sociedades de retorno imediato têm um sistema de aquisição para uso imediato, sem armazenamento; relações igualitárias na ideologia e na prática; acesso direto a recursos, conhecimento e habilidades para todos; liberdade contínua para escolher seus associados; e direito de compartilhar da propriedade de outras pessoas. Richard Lee descreve um alto nível de compartilhamento, baixa tolerância à acumulação pessoal, relações de gênero relativamente igualitárias e um esforço constante contra impulsos egoístas, arrogantes e antissociais entre caçadores-coletores igualitários. Alan Barnard usou o termo “modo de pensamento forrageador” para descrever um ethos encontrado entre caçadores-coletores, ex-caçadores-coletores, ciganos e mendigos urbanos no qual a ordem social é baseada no compartilhamento. Finalmente, Polly Wiessner descreve estruturas sociais igualitárias como resultantes de instituições culturais e ideologias complexas que empoderam uma coalizão dos mais fracos para manter os mais fortes sob controle.

Às vezes, o termo igualitarismo é aplicado de maneira enganosa a organizações sociais que envolvem extremas desigualdades de gênero ou de idade-senioridade, estratificações econômicas e figuras de autoridade. Isso tem contribuído para sérios mal-entendidos tanto dentro da Antropologia Social e Evolutiva quanto entre aquelas disciplinas acadêmicas que têm interesse na evolução humana, como Arqueologia, Biologia Evolutiva e Psicologia Evolutiva. Por exemplo, é amplamente assumido que a competição reprodutiva masculina violenta, a desigualdade de gênero e a guerra seriam aspectos universais entre as sociedades de pequena escala e fatos característicos da história evolutiva dos seres humanos. Uma compreensão mais abrangente das características que distinguem sociedades caçadoras-coletoras igualitárias não-competitivas e altamente móveis de outras sociedades de pequena escala menos igualitárias poderia ajudar a evitar alguns desses mal-entendidos.

Sociedades de caçadores-coletores de retorno retardado (como as dos povos Okiek Inuit), sociedades de homens-grandes (como as dos horticultores da Papua Nova Guiné) e sistemas de linhagem não-estratificados (como os dos horticultores Tallensi da África Ocidental e os horticultores Yanomami do Brasil e da Venezuela) são todas sociedades “acéfalas“, que são frequentemente descritas de forma enganosa como sendo igualitárias devido à sua ausência de hierarquias duradouras e/ou de liderança altamente centralizada. No entanto, uma sociedade que não apresenta uma estrutura de liderança hierárquica, mas que não esteja em conformidade com os princípios igualitários em termos de suas outras características, como relativa igualdade de gênero, pode ser melhor descrita como sendo acéfala. A palavra “acéfalo“ tem o significado raiz de “sem cabeça“ e, portanto, é mais adequada para descrever a organização social que é caracterizada apenas pela ausência de liderança de cima para baixo ou de estruturas de poder centralizadas.

Disposição e comportamentos igualitários

Uma explicação do surgimento evolutivo da predisposição igualitária é necessária para que se possa dar conta da gama de comportamentos políticos observados nas sociedades humanas contemporâneas (que variam de extremamente igualitárias até extremamente hierárquicas), em comparação com as hierarquias de dominância consistentemente presentes entre os primatas não-humanos, como chimpanzés, gorilas e (em grau moderado) bonobos. O fato de que, em contraste com estes, existe uma ampla variedade de comportamentos políticos para os seres humanos, indica que tendências igualitárias surgiram devido a pressões de seleção únicas em nossa linhagem hominídea específica dentro da subfamília Homininae da família taxonômica Hominidea (grandes símios). Uma inferência desse tipo repousa sobre o método filogenético comparativo, da Biologia Evolutiva, no qual se espera que espécies relacionadas apresentem adaptações semelhantes, não porque tenham evoluído devido a pressões evolutivas separadas, mas porque pertencem à mesma filogenia comum. Esse fenômeno é conhecido como “autocorrelação filogenética”. É a divergência da autocorrelação o que precisa ser explicado em termos de pressões de seleção. Ainda que seja provável que tenha havido comportamentos precursores entre os primeiros hominídeos bípedes, comportamentos cooperativos igualitários podem ter surgido devido a pressões de seleção únicas durante a fase de transição do Homo erectus para o Homo sapiens na linhagem humana. A morfologia dos hominídeos anteriores mostra maior dimorfismo de sexo/tamanho em comparação com o gênero Homo, o que é um indicativo de maior competição entre machos nas espécies de hominídeos anteriores, já que tal associação é observada em primatas não-humanos. As pressões de seleção envolvidas podem ter sido múltiplas e, portanto, podem ser melhor compreendidas dos pontos de vistas de várias perspectivas interdisciplinares e complementares.

Da perspectiva da Ecologia Comportamental e da teoria do forrageamento ótimo, alguns aspectos do ethos igualitário são adaptativos, no sentido de serem estratégias eficazes de mitigação de riscos. A ecologia comportamental trabalha a partir da premissa de que os organismos apresentam adaptações sensíveis aos riscos que os ajudam a sobreviver. As estratégias de redução de risco adotadas por caçadores-coletores móveis tendem a ser: (1) o agrupamento das colheitas dos recursos no interior de uma rede de compartilhamento, (2) mobilidade e/ou composição fluida dos grupos locais, o que permite que as pessoas se distribuam de acordo com a distribuição de recursos e (3) o desconto futuro, no qual receber uma recompensa menor imediatamente é preferível em comparação ao potencial de uma recompensa maior no futuro. Essas estratégias correspondem com as práticas igualitárias dos caçadores-coletores de retorno imediato em: (1) sua demanda compartilhada, (2) seu mecanismo de evitação, que permite que as pessoas se afastem de fontes de conflito e (3) sua ênfase nas necessidades de subsistência do presente juntamente com a ausência de armazenamento e investimento.

As estratégias de mitigação de risco dos caçadores-coletores móveis são plausivelmente associadas à evolução do gênero Homo por causa das evidências arqueológicas da obtenção de carne de animais de caça médios e grandes ter se iniciado no Pleistoceno. A caça de grandes animais é uma estratégia de subsistência relativamente arriscada. Ela fornece uma fonte de alimento que vale a pena compartilhar, mas cuja aquisição exige cooperação. Além disso, há evidências de que o Pleistoceno trouxe mudanças climáticas — especificamente o aumento das estações secas, com a escassez de recursos associada a elas. Estas são as condições ambientais nas quais o compartilhamento é mais benéfico.

Ciência Cognitiva também traz suas contribuições. O psicólogo do desenvolvimento Michael Tomasello sugere que a intencionalidade compartilhada ou a intersubjetividade na busca de um objetivo comum é a marca registrada da interação humana, em oposição às interações de outros símios. Por exemplo, o gesto de apontar exige um entendimento mútuo da intenção de compartilhamento de informações por quem aponta. Em apoio a isso, a “hipótese do olho cooperativo” procede a partir do corolário de que apenas o gênero Homo tem uma fisiologia específica — olhos amendoados, com esclera branca — que facilitam a visualização do foco de atenção dos outros indivíduos, e sugerindo que essas características evoluiram para facilitar a comunicação e a cooperação. A intencionalidade compartilhada requer altos níveis de confiança entre as pessoas em um grupo social e a capacidade de entender a intenção do outro de ajudar ou compartilhar. As habilidades e as motivações da intencionalidade compartilhada transformaram os comportamentos sociais individualistas e competitivos dos primatas, tais como a capacidade de acompanhar o olhar do outro, a comunicação manipuladora, a ação em grupo e o aprendizado social para dar origem aos comportamentos culturais humanos da atenção conjunta, comunicação cooperativa, ação colaborativa e aprendizado instruído. A intencionalidade compartilhada é, portanto, a capacidade cognitiva que torna possível o igualitarismo e as capacidades culturais relacionadas. Em princípio, mutações específicas no formato e na cor dos olhos poderiam ser rastreadas geneticamente até mudanças sociais históricas durante o Pleistoceno.

Os psicólogos cognitivos Whiten e Erdal (2012) usam o termo “contradominância” para descrever a prática pela qual coalizões se unem para conter indivíduos dominantes, criando assim condições sociais mais igualitárias. Eles argumentam que a pressão seletiva única envolvida na evolução humana foi a formação de um nicho sociocognitivo que incluía laços de retroalimentação positivos e multidirecionais entre cinco elementos: (1) cooperação, (2) igualitarismo, (3) teoria da mente, (4) linguagem e (5) transmissão cultural. Dentro desse nicho adaptativo, que os autores chamam de “mente social profunda”, há uma interligação estreita entre igualitarismo e cooperação, o que permitiu que os caçadores-coletores se reunissem com sucesso para obter e compartilhar recursos. O igualitarismo cooperativo, por sua vez, impulsionava a transmissão cultural do conhecimento. A aquisição da linguagem e da leitura da mente que poderia então ser criada por meio do compartilhamento de conhecimento, por sua vez, permitia a coordenação interpessoal de atividades e, em última instância, o reforço do ethos cultural igualitário. Eles argumentam que o nível máximo de igualitarismo foi alcançado durante o período que vai das origens do Homo sapiens até o surgimento da agricultura, no final do Pleistoceno.

O antropólogo evolutivo Christopher Boehm (1999) usa os termos “dominância reversa” ou “hierarquia de dominância reversa” para descrever o resultado de práticas igualitárias, com a implicação de que o igualitarismo evoluiu por meio da maioria nos grupos sociais se reunindo para se rebelar contra a tirania dos machos alfa. Boehm propõe que a moralidade humana é o produto de comportamentos igualitários ao longo de 6 milhões de anos, durante os quais controles sociais, tais como punições exercidas contra indivíduos antissociais e egoístas, criaram pressões seletivas que funcionaram a favor do comportamento altruísta e contra o comportamento despótico ou antissocial. A organização social igualitária de bandos de caçadores-coletores levou, portanto, ao surgimento de uma consciência social, incluindo sentimentos de virtude e vergonha. Gintis, van Schaik e Boehm (2015) argumentaram que uma mistura de fatores como a domesticação do fogo, a disponibilidade de armas letais e a reprodução cooperativa constituíram um nicho no qual estruturas sociais igualitárias derrubaram as hierarquias típicas do estilo primata.

Experimentos psicológicos e da teoria dos jogos demonstram a existência de “aversão à desigualdade” entre primatas humanos e não-humanos e a tendência especificamente humana de punir aqueles que se comportam de forma injusta, mesmo que administrar a punição incorra em um custo para quem pune. Por exemplo, Sergey Gavrilets (2012) usou modelagem baseada em agentes para demonstrar que cada indivíduo se beneficia se a competição no interior do grupo for reduzida e que uma forte ação de coalizão contra valentões poderia ter reduzido a competição dentro do grupo nos bandos de caçadores-coletores pré-históricos na medida em que as condições favorecessem a seleção para uma disposição psicológica chamada de “síndrome igualitária”, incluindo empatia, altruísmo e moral igualitária. Estudos recentes em Neurociência demonstram que a desigualdade econômica é avaliada no córtex pré-frontal do cérebro. Essa região controla as funções executivas do cérebro, o que sugere que a aversão à desigualdade está relacionada a uma reorganização filogeneticamente recente do circuito cortical frontal na linhagem humana.

Igualitarismo de gênero e as estratégias reprodutivas femininas

Voltando-se para a questão de como o igualitarismo de gênero pode ter evoluído, a antropóloga evolutiva Kristen Hawkes e seus colegas sugeriram que a razão pela qual as mulheres na pós-menopausa sobrevivem muito além dos seus anos reprodutivos é que seu papel ajudando a cuidar e prover a prole de seus parentes próximos foi uma adaptação evolucionária. Essa ideia é conhecida como “a hipótese da avó”. A antropóloga e primatologista Sarah Blaffer Hrdy (2009) estendeu a hipótese da avó para formar uma “hipótese de reprodução cooperativa” mais ampla. Ela argumenta que a capacidade cognitiva humana para a intersubjetividade é o legado evolutivo das interações de cuidados entre bebês, mães e outros parentes. O cuidado cooperativo foi necessário para sustentar as pesadas demandas energéticas da evolução da prole humana. Surgindo no Homo erectus, à medida que o tamanho do cérebro aumentava, é provável que inicialmente esse tipo de criação tenha sido fornecido principalmente por parentes do sexo feminino devido ao nível variável do comprometimento masculino com a criação dos filhos. Essa teoria é apoiada por estudos que demonstram um alto nível de aloparentalidade nas sociedades contemporâneas de caçadores-coletores.

A antropóloga evolutiva Camilla Power vincula a hipótese de reprodução cooperativa com o surgimento do igualitarismo e da cultura simbólica no seu modelo de “coalizão cosmética feminina” (“female cosmetic coalition”, ou FCC) (2009). Ela sugere que o igualitarismo, o ritual e a cultura simbólica surgiram como resultado de novas estratégias reprodutivas femininas que começaram com a reprodução cooperativa. Se o modelo de Power estiver correto, as coalizões femininas de parentes teriam utilizado sinais sexuais enganosos ou cosméticos para garantir o aumento do investimento masculino necessário para arcar com os custos crescentes da reprodução de bebês com cérebros grandes. A redução da competição reprodutiva entre os machos era uma pré-condição necessária para proporcionar os níveis de prosocialidade, intersubjetividade e investimento masculino no cuidado infantil necessários para a fase final da rápida expansão cerebral e para o surgimento da linguagem entre 300.000 e 200.000 anos atrás. Assim, pela lógica da teoria de Power, o nivelamento de dominância entre os machos foi impulsionado inicialmente por estratégias rituais coletivas femininas com o objetivo de minimizar o estresse reprodutivo feminino. Essas condições teriam facilitado também a criação daqueles aspectos de igualdade de gênero observados entre os caçadores-coletores de retorno imediato atualmente existentes — por exemplo, alianças femininas, ausência de coerção reprodutiva e um investimento masculino relativamente alto na provisão e nos cuidados infantis. As estratégias reprodutivas masculinas também teriam se transformado em resposta às novas estratégias femininas, com os machos se tornando mais seletivos sobre suas parceiras à medida que seus esforços reprodutivos se tornavam mais custosos.

As teorias da reprodução cooperativa e do modelo FCC de Power sugerem um mecanismo pelo qual a dominância de machos alfa pode ter sido neutralizada. Essas teorias são consistentes com a hipótese da dominância reversa de Boehm. Rituais que propagam relações de gênero igualitárias desempenham um papel importante na manutenção do equilíbrio político das sociedades de caçadores-coletores igualitários não-competitivos atualmente existentes. Por exemplo, Lewis (2014) descreve como os caçadores-coletores da Bacia do Congo empregam práticas rituais extensivas baseadas em coalizões de gênero para apoiar relações igualitárias de gênero na vida cotidiana.

O fato de que os seres humanos não seguem o modelo usual de seleção sexual de competição masculina/escolha feminina (“male competition/female choice” ou MCFC) foi defendido pelos psicólogos evolutivos Steve Stewart-Williams e Andrew Thomas (2013), que propõem, em vez disso, um modelo de escolha mútua de parceiros (“mutual mate choice”, ou MMC). Há fortes justificativas para tamanha mudança em termos das pressões de seleção sexual que teriam ocorrido com o aumento da encefalização, incluindo maiores custos reprodutivos femininos e um aumento concomitante na provisão masculina. Além disso, o esforço maior dos machos na obtenção de acesso sexual, nos termos da teoria do investimento parental e da seleção sexual, significa que os machos deveriam se tornar mais seletivos e as fêmeas mais competitivas.

ressurgimento da desigualdade de gênero pode formar a base a partir da qual outros tipos de desigualdades sociais são estabelecidas — por exemplo, devido a um aumento na competição reprodutiva masculina que ocorre junto da posse diferencial de propriedades e da poligamia. Isso inclui dois domínios de percepções potencialmente importantes sobre o comportamento político humano, a saber: (1) os mecanismos pelos quais o igualitarismo não-competitivo primeiramente surgiu e depois se tornou firmemente estabelecido entre os primeiros Homo sapiens durante meados da Idade da Pedra na África e (2) os mecanismos pelos quais as desigualdades podem ter ressurgido com a evolução cultural de sociedades politicamente complexas, de aproximadamente 40.000 anos atrás em diante. David Wengrow e David Graeber (2015) sugerem que a alternância entre organizações políticas igualitárias e hierárquicas teria sido uma propriedade emergente das sociedades de caçadores-coletores nos ambientes altamente sazonais do Paleolítico Superior na Europa.

 

 

Publicado originalmente em: https://jacobin.com.br/2025/03/a-evolucao-do-igualitarismo/

Comente aqui