Clipping

Emissão de metano desacelera no mundo, mas ritmo é lento

Relatório da ONU mostra que países se esforçaram para reduzir emissões de gás responsável por um terço do aquecimento global. Mas ainda estão longe de meta de redução de 30%, firmada em 2021.

Por: Holly Young | Crédito Foto: Matthew Brown/AP/picture alliance. Atividades humanas são responsáveis por cerca de 60% da emissão de metano

Na corrida para conter o aquecimento global e as emissões de gases de efeito estufa, a redução do metano oferece ao mundo uma “pausa na emergência climática”, afirmou Martina Otto, chefe da Coalizão Clima e Ar Limpo das Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar de ter uma vida útil mais curta na atmosfera do que o dióxido de carbono (CO2), o metano é mais de 80 vezes mais potente em reter calor ao longo de um período de 20 anos e responsável por cerca de um terço do aquecimento global.

E, embora nos últimos anos o mundo tenha apresentado algum progresso na redução da quantidade desse gás que escapa para a atmosfera, um novo relatório da ONU alerta que esses esforços precisam ser acelerados rapidamente.

Acordo freou emissões de metano

O relatório faz um balanço do progresso mundial desde o lançamento do Compromisso Global sobre o Metano na cúpula climática de 2021 em Glasgow, na Escócia.

Desde então, quase 160 nações concordaram em reduzir as emissões de metano em 30% até 2030 em relação aos níveis de 2020. A meta é alinhada ao objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais.

Os últimos cinco anos testemunharam “uma atenção e ação global sem precedentes em relação ao metano”, afirma Dan Jorgensen, comissário da União Europeia (UE) para Energia e Habitação.

Segundo ele, isso inclui um número crescente de países desenvolvendo planos de ação para reduzir as emissões desse potente gás, bem como um compromisso cada vez maior da indústria. Empresas em 90 países aderiram ao programa de monitoramento e registro de metano da ONU.

Apesar dos esforços, as emissões continuam aumentando. E o relatório sugere que elas aumentarão mais 5% até 2030 e 21% até 2050, em comparação com os níveis de 2020. No entanto, teriam crescido ainda mais se não fosse pelo compromisso global.

O relatório atribui o menor ritmo das emissões tanto à desaceleração do crescimento do mercado de gás quanto a novas regulamentações — incluindo algumas introduzidas pela União Europeia no ano passado, que obrigam as empresas de combustíveis fósseis a monitorar e relatar melhor suas emissões de metano .

Cerca de 65% dos países que apresentaram seus novos planos de ação climática à ONU até junho deste ano incluíram medidas voltadas para o metano — um aumento de quase 40% em comparação com 2020. Se totalmente implementados, esses planos poderiam ajudar a reduzir os níveis de emissão em 8%, segundo a análise.

Embora o relatório afirme que isso representaria um “progresso histórico” na redução das emissões de metano, ainda está muito aquém dos 30% prometidos em 2021.

“Precisamos de ações mais ambiciosas do que as previstas nos planos. Eles são um bom começo, mas precisamos de mais”, destaca Lena Höglund-Isaksson, pesquisadora sênior do Instituto Internacional de Análise Aplicada de Sistemas.